O vento sibilava pela janela entreaberta do quarto escuro. Apenas um feixe de luz invidia o cômodo, permitindo com que Rejane visse o rosto enrugado de Fernanda, enquanto a mesma descansava em sua cama (uma cena comum, uma vez que Fernanda era baiana). O galo do sítio onde estavam, cacareja bem alto, assim acordando a baiana. Assustada, ela olha em volta, não havia se acostumado com aquele lugar (desde que a quarentena havia começado, Fernanda decidiu ficar em um de seus 13 sítios por um tempo junto de sua amiga Rejane, uma vez que eram idosas e fumantes). A nordestina solta um grito ao notar a presença de Rejane no quarto:
-Rejane b-baka! O que você está fa-fazendo?!
-Eu apenas queria te ver… Você fica linda dormindo.
Rejane sempre elogiava a aparência de Fernanda, já tinha até dado a ela um apelido carinhoso: “meu cuzcuzinho”. A preguiçosa nunca levara a sério as investidas de Rejane, pensava sempre se tratar de uma piada de mau gosto, mas dessa vez tinha sido diferente. Sua face velha chegou a ficar vermelha ao perceber que a evangélica estava apenas com uma langerie bem apertada, deixando todos os seus pelos pubianos a mostra (por ser evangélica, Rejane nunca se depilava).
-O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?? NOS NÃO PODEMOS FAZER ISSO!! TODOS SABEM QUE VOCÊ TEM AIDS!! – grita Fernanda, tentando esconder o fato de estar muito excitada com a situação.
-Eu que sou a evangélica, e você que sendo a preconceituosa… Além do que, você acha que não percebi essa sua cara de tesão?
– O q-que?! – O rosto de Fefe ficava cada vez mais vermelho, ela havia sido descoberta.
– Só faça questão de ficar calada – Rejane tira seus materiais de masoquismo de sua bolsa – nós não queremos que nenhum de seus 32 funcionários descubram o que está acontecendo aqui.
Rejjane bate a porta atrás de si, causando um baque estrondoso, mas não mais estrondoso do que os gritos de prazer vindos do quarto. Todos na casa sabiam o que estava acontecendo ali, mas não ousariam interromper.